Petrolina: terra dos impossíveis e de latifúndio secular

Prestes a completar 123 anos, Petrolina ainda revira defuntos latifundiários que sistematicamente, próximo a períodos eleitorais,  se manifestam e revelam personagens antagônicos á bela propaganda feita pela árvore genealógico da oligarquia dominante. Adormecidos pelo caminhar especulativo de propriedades antes misteriosamente transformadas em áreas públicas e ocupadas por prédios públicos e ou famílias desabrigadas. Algumas dessas áreas, envolvidas em ações judiciais, outras a espera de herdeiros reclamantes que suntuosamente exercem sua suposta linhagem de proprietário, revelam como acontece o verdadeiro exercicio da máquina pública nas mãos dos supostos benfeitores do desenvolvimento do município de Petrolina – PE.

Casos tem vindo a tona periodicamente. Citando os mais recentes: em setembro de 2012, faltando apenas quatro meses para as eleições municipais, ainda na gestão do então prefeito Júlio Lóssio, um dos fantasmas do latifúndio de mais de 40 anos, apareceu, e custou aos cofres público as cifras de mais de R$ 56 milhões, referentes  ao pagamento de indenização dos Loteamentos José e Maria, Dom Malan e Petrolina III (Cohab/PE).

Júlio Lóssio criou o programa de regularização fundiária, donde as famílias, com cadastramento e informações sobre documentação, participavam da organização, sem nenhuma despesa. Outro fantasma de aproximadamente 20 anos aparece, mas as 1.800 famílias que residiam nas localidades de São Jorge, São Joaquim e Lagoa Seca, que compreende 377 mil m², receberam por meio de Decreto, a notícia de que as áreas foram desapropriadas, tornando-as de interesse social. Conforme o Decreto, os terrenos são de posse do município, sendo assim, não existe mais a desapropriação dos moradores do local por parte de antigos proprietários que entrarem com ação de despejo ou de requerimento das áreas.

Em outro processo, a regularização fundiária no bairro Terras do Sul, a Prefeitura Municipal investiu na desapropriação do terreno em torno R$ 600 mil, além dos investimentos feitos para viabilizar os procedimentos administrativos (fiscais, arquitetura, topografia cadastros), que ficaram por volta de R$ 500 mil. Foi empregado aproximadamente R$ 1,1 milhão.

Em 2016, as vésperas das eleições municipais  um novo impasse envolvendo a Prefeitura de Petrolina quase resultar no despejo de 104 famílias do Bairro João de Deus, zona norte da cidade. O problema diz respeito a um projeto de lei, de autoria do Executivo, propondo a permuta de uma área do município (localizada no Loteamento Rafael, também na zona norte) por um imóvel particular situado no João de Deus, pertencente a três empresas: Catavento Derivados de Petróleo LTDA – ME, Canteiro de Obras Indústria e Comércio LTDA e KKP Empreendimentos Imobiliários LTDA. qua arremataram a área em um leilão judicial no valor de R$ 1,96. O caso ainda hoje tramita nas mãos do poder Executivo.

Atualmente mais um fantasma do latifúndio está de volta, só que na administração atual, está o mais novo herdeiro dos responsáveis pelas aparições fantasmagóricas latifundiárias:  o prefeito Miguel Coelho, e a assombração esta de novo no Bairro João de Deus.

Nesta terça 25, faltando cinco meses para as eleições presidenciais, os moradores do bairro João de Deus, foram tomados de surpresa quando algumas pessoas estavam cercando um área onde a mais de 20 anos existia um prédio público. uma das poucas áreas  que se consideravam pública, existentes na comunidade. E segundo  essas pessoas, que anteriormente já haviam se identificado como herdeiros de  Augustinho Paqueteiro, o antigo proprietário da área, aquela área não seria a única que ia ser cercada.

O quiproquó está de novo nas mão do executivo que ira sem dúvida, desembolsar dos cofres públicos, algumas cifras para supostamente indenizar  os herdeiros recorrentes.

Por enquanto o que nos resta é aguardar. Mais de olhos bem abertos!