Rejeição ao presidenciável Jair Bolsonaro por maioria dos petrolinenses deixa parte do legislativo em maus lençóis

As eleições de 2018 tem revelado um senário político bastante conturbado para a maioria dos parlamentares de Petrolina. De um lado o PT, um dos partidos que mais foi bombardeado no senário político nacional e mesmo com o seu principal candidato preso, o Lula, conseguiu estrategicamente levar seu sucessor, Fernando Haddad para o segundo turno.

Do outro, um “aventureiro” que quase não encontra um partido que o apoiasse no que parecia um delírio do Jair Bolsonaro de se lançar candidato a presidência da república, por conta dos seus 27 anos na política, apenas dois projetos de lei aprovados, falácias e discursos autocráticos e preconceituosos, os quais ganharam adeptos, por conta do mesmo dizer abertamente o que pensava e o que sentia de forma contraposto as exigências da sociedade contemporânea no tocante aos direitos individuais e coletivos das pessoas.

E mesmo votando a favor das reformas do governo Temer, que tinham por finalidade retirar direitos sociais de trabalhadores e trabalhadoras, conseguiu com um discurso de honestidade se aproveitar do momento político e conquistar o público que desde dos protestos de 2013, foi manipulado por grupos empresariais  e a grande mídia para desestruturar o PT a tal ponto de destituir um governo democraticamente eleito, o de Dilma Rousseff .

A criação de uma força tarefa para investigar crimes de corrupção intitulada de Lava Jato, revelou a dimensão e o lado vergonhoso de maus políticos e de parte da justiça brasileira.

Um escândalo de corrupção histórico e sem precedentes, envolvendo a maioria dos partidos, parlamentares, instituições públicas, privadas e o empresariado brasileiros. Sem citar  as leis que foram criadas, cargos importantes no mais alto escalão do governo e do magistrado brasileiro, usados para tornar lícitos as práticas ilícitas, manipular, prender ou anistiar criminosos de colarinho branco causando a mais terrível sensação de impunidade. Essa mistura de escândalos causou a desilusão política na maioria dos brasileiros ricos e pobres que mesmo sendo beneficiados com importantes políticas sociais e econômicas no governo Lula e Dilma, aderiram ao clamor que pedia o fim da corrupção no país.

É neste senário de desencantos que um significante percentual do povo brasileiro tem preferido, como forma de protesto, votar em branco ou anular seu voto, como aconteceu em Petrolina, Sertão de Pernambuco.  De  quase 350 mil habitantes, menos de 98 mil estão haptos a votar e desse número aproximadamente 10% anulam ou votam em branco.

E mesmo o resultado das urnas no 1º turno mostrando a rejeição do pernambucano especialmente do petrolinense ao presidenciável Jair Bolsonaro, a maioria dos vereadores da bancada governista seguem o governo de Miguel Coelho o qual teve seus dois irmãos eleitos, um deputado estadual e o outro deputado federal, ambos contribuíram com a queda do governo Dilma e são atualmente apoiadores do candidato da extrema direita.

Em relação aos vereadores de Petrolina, a bancada que apoia o prefeito Miguel Coelho é composta por 18 vereadores de partidos como  4 do PSB, 1 do PSL, 1 do PRTB, 2 do PSC, 2 do PR, 1 do PSDB, 2 do PRP, 1 do PHS, 3 do PTB e 1 do PMDB. Já a bancada da oposição é composta por 5 vereadores dos partidos: 2 do PT, 1 do PMDB, 2 do PSL. O líder da bancada governista é o vereador Aerolande Cruz (PSB) e o da bancada de oposição é o vereador Paulo Valgueiro (PMDB), sendo que o líder da Câmara é o vereador Osório Siqueira (PSB).

Dentre estes. além dos vereadores do PT – Cristina Costa e Gilmar Santos, apenas o vereador Paulo Valgueiro declarou apoio ao candidato presidenciável do PT- Fernand Haddad, quanto ao candidato do PSL – Jair Bolsonaro, os vereadores Gabriel Meneses (PSL); Ronaldo Silva (PSDB);  Gilberto Melo (PR);   Alex de Jesus (PRP). Rodrigo Teixeira (PSC); Ronaldo Souza (PTB); Osinaldo Sousa (PTB); já manifestaram apoio e ou defesa ao candidato presidenciável do PSL.

A vereadora Maria Helena por se mostrar defensora dos direitos da mulher e ativista de direitos humanos, ainda não se pronunciou publicamente a respeito de seu apoio a nenhum dos candidatos presidenciáveis, assim como o vereador Zenildo do Alto do Cocar, que tem sua filha trabalhando na Secretaria de Direitos Humanos do Município.

Claro que isto não significará que eles irão apoiar o candidato Haddad do PT, apenas não querem se comprometer com um apoio direto a nenhum deles, pois a incoerência significaria um tremendo risco para suas candidaturas. Ainda há vereadores que não conseguem se quer defender seu próprio mandato e estes já confirmaram suas derrotas.

A rejeição petrolinense ao candidato Bolsonaro e o os votos nulos e brancos, podem levar boa parte dos vereadores a não serem reeleitos em 2020. e isto se dará independentemente de quem for assumir a presidência em janeiro de  2019.