Grupo de mais de 2 mil médicos assina manifesto de apoio a Haddad

Documento reúne profissionais que votaram em outras candidaturas no primeiro turno

Profissionais alertam sobre a escalada de ódio, o risco à democracia e ao desenvolvimento do Brasil, que representa a candidatura do PSL Foto: Arte da campanha

Por Cecília Figueiredo, do Saúde Popular

O candidato à Presidência da República Fernando Haddad conquistou o apoio de milhares de profissionais médicos de vários estados do Brasil. “Médicas e médicos brasileiros abaixo-assinados, que votamos nas mais diversas candidaturas no primeiro turno, nos posicionamos, agora, em defesa da candidatura de Fernando Haddad para a Presidência do Brasil”, diz o manifesto lançado pela internet essa semana.

Na página Médicos com Haddad, além de materiais que podem ser baixados, o manifesto justifica “apoiamos a candidatura de Fernando Haddad contra o retrocesso que Bolsonaro representa para a saúde e para a vida dos brasileiros”.

Dentre os retrocessos apresentados no programa da candidatura do PSL, o texto denuncia o apoio à ‘PEC da morte’, que congela por 20 anos os investimentos em saúde; a defesa da reforma trabalhista e ameaça de supressão do 13º salário; o apoio “ao governo Michel Temer que trouxe desemprego e degradação das condições de vida do povo”.

O grupo de médicos também repudia o fato do candidato do PSL ser favorável à lei que desobriga o atendimento integral a mulheres vítimas de violência sexual e o discurso racista e de ódio contra a população LGBTI+.

Aristóteles Cardona, médico de Família e Comunidade no sertão de Petrolina (PE) que assina o documento, alerta que o segundo turno, no próximo dia 28 de outubro, não pode ser encarado como uma simples eleição.

“Muitos dos avanços conquistados no nosso sistema de saúde correm sério risco, caso o programa que defende as privatizações, que é o programa de Bolsonaro, ganhe. A campanha Médicas e Médicos com Haddad surge neste intuito, de evidenciar que há um enorme contingente de pessoas que assinam e estão preocupadas com esse momento. Só para a gente ter uma ideia, em menos de uma semana foram colhidas mais de duas mil assinaturas, comprovando o apoio à candidatura de Haddad”.

Para Cardona, integrante da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e professor da Universidade Federal do Vale São Francisco (Univasf), “o voto em Haddad é a garantia mínima do espaço democrático para os debates tão caros à existência do Sistema Único de Saúde”.

Manifesto na íntegra

Nós, médicas, médicos e estudantes de medicina brasileiros abaixo-assinados, que votamos nas mais diversas candidaturas no primeiro turno, nos posicionamos agora em defesa da candidatura de Fernando Haddad para a presidência do Brasil.

Nosso país vive uma escalada de ódio sem precedentes, que ameaça valores democráticos e as bases para um desenvolvimento social e econômico mais justo e igualitário. A candidatura de Jair Bolsonaro representa este cenário:

1. Apoiou a “PEC da morte” que congela durante 20 anos os investimentos nas áreas sociais. Um golpe de morte no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, em seu plano de governo, propõe realizar mais cortes no orçamento da saúde;
2. Defendeu a reforma trabalhista e continua defendendo a perda de direitos fundamentais dos trabalhadores com o discurso de que o brasileiro tem que “escolher entre ter direitos trabalhistas ou ter emprego”. Seu vice, o Mourão, defende, inclusive, o fim do 13º salário.;
3. Apoiou o governo Michel Temer em que houve aumento no desemprego e degradação das condições de vida do povo, com aumento da carestia e piora das taxas de mortalidade infantil;
4. É a favor da lei que desobriga o atendimento integral a mulheres vítimas de violência sexual. Realiza discurso racista e de ódio contra a população LGBTI+;
5. Durante a campanha já houve sinais de que pretendia igualar a tarifa de imposto de renda, que, na prática, significa mais impostos para os pobres e menos para os ricos;
6. Realiza discurso militarista de apologia à violência e trata torturadores da ditadura militar como heróis;

Por tudo isso, entendemos que nós temos o dever de estar ao lado em defesa dos direitos humanos, da vida e da paz. O voto em Haddad é a garantia mínima do espaço democrático para os debates tão caros à existência do Sistema Único de Saúde.

Portanto, apoiamos a candidatura de Fernando Haddad contra o retrocesso que Bolsonaro representa para a saúde e para a vida dos brasileiros.

Clique aqui para assinar o manifesto virtual.

Da página de Saúde Popular