Incendiadas sedes do Ibama e do ICMBio

Escritórios de órgãos do Ministério do Meio Ambiente ficam em Humaitá, ao sul do Amazonas; suspeita é de ação de garimpeiros

As sedes do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), órgãos do Ministério do Meio Ambiente, na cidade de Humaitá, município no sul do Amazonas, foram queimadas na tarde desta sexta-feira, 27. Ainda não há informações sobre feridos ou a causa dos incêndios.

O ataque acontece em meio a uma operação do Ibama e do ICMBio de combate ao garimpo no Rio Madeira, que tem apoio do Exército, da Marinha e da Força Nacional. Humaitá está próxima da divisa do Amazonas com Rondônia, a 600 quilômetros de Manaus.

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Video gravado no local atribui ato a garimpeiros Foto: Reprodução/YouTube

“A suspeita é de que isso tenha sido uma ação de represália pela operação contra os garimpeiros”, afirmou o presidente do ICMBio, Ricardo Soavinski, ao Estado. “Cuidamos de mobilizar o envio das forças para lá. Era uma operação do Ibama que o ICMBio apoiava, de combate às balsas de garimpeiros, mas ainda estamos apurando. Acionamos a Força Nacional, via Ministério da Defesa, e a Polícia Federal para tentar estabelecer a ordem e colocar paz.”

Na noite desta sexta, ele não tinha informações sobre feridos e ainda tentava falar com funcionários das unidades. Os servidores encontrados se deslocaram para uma base do Exército e outra parte da equipe ainda estava no rio. O ICMBio não soube informar nesta sexta quantos técnicos trabalham nos locais nem sobre danos aos imóveis.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram supostas imagens do incêndio. Também havia pessoas supostamente comemorando o ataque aos prédios. Na noite desta sexta, ainda era apurado se uma unidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) também havia sido alvo de ataques.

Ao longo do Rio Madeira, que separa o Amazonas de Rondônia, há várias unidades de conservação (UCs) federais e estaduais. Naquela região, estão unidades criadas em maio de 2016. O ICMBio tem trabalhado recentemente para ampliar a estrutura da sede para ajudar na gestão dessas novas áreas.

Na semana passada, o Ibama havia feito outra operação que resultou em protestos. A operação foi em garimpos de ouro ilegal na Terra Indígena Kayapó, no Pará. Em três dias, foram destruídas 13 balsas, 12 escavadeiras hidráulicas, quatro motobombas e um caminhão. Grupos bloquearam a estrada que passa na região em retaliação.

Jamanxim. Em julho, um caminhão-cegonha com oito carros do Ibama foi queimado na BR-163, em Altamira, no Pará. A área ficou no centro da polêmica sobre a Medida Provisória (MP) 756, que reduzia a Floresta Nacional de Jamanxim. Na época, manifestantes pró-MP faziam bloqueios na via. A MP foi vetada, mas o governo federal enviou projeto de lei ao Congresso para reduzir a floresta.

André Borges e Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo