Participação social na distribuição das riquezas nacionais corre ainda mais riscos

A avaliação é de Valter Pomar, historiador e professor da UFABC, em entrevista à Rádio Brasil de Fato neste domingo (28)

Soberania nacional está na mira da elite estrangeira / Foto: Petrobras

O atual cenário político polarizado do Brasil, na opinião do historiador Valter Pomar, mostra que a disputa ideológica no país está mais forte do que nunca. Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, o professor da UFABC afirmou que o discurso anti-político da extrema direita é uma forma de atuar politicamente.

Pomar avalia que o fortalecimento do conservadorismo, centralizado na figura de Jair Bolsonaro, gera respostas da sociedade. “Isso faz com que, do outro lado, também haja uma politização maior, um esclarecimento maior, uma busca maior de caminhos para enfrentar os problemas postos para o país. O cenário da sociedade brasileira, como um todo, é de grande politização”, afirma.

O docente destaca que parcela significativa da sociedade, incluindo o grande empresariado, uma parte dos setores médios e populares, se deixou seduzir por uma posição neofascista. No entanto, do outro lado, se formou uma grande frente política e social de oposição no último período.

Neste cenário, segundo Pomar, o problema do país é o modelo econômico-social que prevalecerá. Ele reforça que a já escassa participação social nas discussões relacionadas à riqueza nacional corre ainda mais riscos.

“Durante os governos Lula e Dilma, houve a tentativa de ampliar a participação dos trabalhadores e dos setores populares na riqueza nacional. O que as pessoas, grupos e partidos que deram o golpe contra a presidenta Dilma e que agora apoiam Bolsonaro pretendem, é o oposto disso. É reduzir a participação dos trabalhadores e dos setores populares na riqueza nacional”, sustenta o historiador.

Na opinião do especialista, somente a disputa eleitoral não é suficiente para que as forças neoliberais desmontem a soberania nacional, e para isso, há uma manipulação de diversos mecanismos, com a participação do poder judiciário.

“Aquilo que explica o fato das liberdades democráticas estarem no centro da pauta, é que a classe dominante, para atingir seu objetivo de reduzir a participação dos trabalhadores na distribuição da riqueza nacional, quer reduzir a liberdade democráticas de maneira brutal”.

Valter Pomar também acredita que a disputa da visão de mundo das pessoas não deve ocorrer apenas na época de eleição. Mecanismos como os meios de comunicação e política culturais são centrais na disputa ideológica.

“Se você não tiver mecanismos através dos quais seja possível difundir uma visão de mundo democrática, popular, de esquerda, essa batalha cultural vai ser perdida. E ela sendo perdida, é muito difícil de ganhar outras batalhas. A batalha eleitoral, por exemplo, não se ganha ou se perde no dia da votação, ela na verdade vem sendo construída, uma derrota ou uma vitoria, ao longo do tempo, por meio de mecanismos como esses”, ressalta.

Fonte: Brasil de Fato | São Paulo (SP)