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Brumadinho: uma tragédia anunciada!

O alerta do representante do Ibama foi feito em uma reunião recente, em 11 de dezembro de 2018, no próprio Ibama. A reunião debatia a ampliação das atividades do complexo de mineração na região.

Imagem da web                                                                            

O representante do Ibama na reunião, Julio Cesar Dutra Grillo, alegou que era possível que a barragem se rompesse e citou exemplos de Mariana, com a barragem de Fundão. “Casa Branca tem algumas barragens acima de sua cabeça. Muita gente aqui citou o problema de Mariana, de Fundão, e vocês têm um problema similar. Ali é o seguinte: essas barragens não oferecem risco zero. Em uma negligência qualquer de quem está à frente de um sistema de gestão de risco, aquilo rompe. Se essa barragem ficar abandonada alguns anos, não for descomissionada, ela rompe”, disse Grillo, à época, de acordo com a ata da reunião.

Segundo informações, houve discussão e representantes da comunidade local apontaram possíveis abalos hídricos com a ampliação do complexo. Mesmo assim, o projeto foi aprovado por 8 votos a 1, com uma abstenção de Júlio Grillo.

Imagem de arquivo mostra localização das barragens da Vale no Córrego do Feijão, em Brumadinho – foto web

Em entrevista coletiva concedida na noite desta sexta (25), o presidente da mineradora Vale, responsável pela barragem que se rompeu em Brumadinho (MG), a 60 km de Belo Horizonte, afirmou que cerca de 427 funcionários estavam trabalhando próximo ao local no momento do rompimento da estrutura.

Desses, cerca de 279 foram localizados, segundo a empresa. A informação coincide com os cálculos do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, que atualizou para 150 o número de desaparecidos. Entre funcionários e terceirizados, no momento do acidente. Era a hora do almoço, e parte do empregados estava no refeitório da empresa. “O restaurante e um prédio administrativo foram soterrados”, reconheceu o executivo, que está desde 2017 no comando da mineradora.

Construída em 1976, a barragem de Brumadinho tinha 25% do volume de Mariana.

De acordo com o site da mineradora Vale, a barragem principal que rompeu nesta sexta-feira (25) tinha capacidade de 12,7 milhões de metros cúbicos.  Para efeito de comparação, a barragem da Samarco, operada pela Vale com a australiana BHP, tinha 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos. No desastre de 2015, 19 pessoas morreram e o distrito de Bento Rodrigues terminou soterrado. Atualmente, a barragem de Brumadinho não receberia material, pois o beneficiamento do minério na unidade é feito a seco, ainda de acordo com o site. O Ibama havia informado inicialmente que havia 1 milhão de m³ de rejeito no local, mas a informação foi alterada.

Segundo o executivo  da empresa Schvartsman, ainda não sabe o que levou ao rompimento da barragem, a estrutura eclodida nesta sexta-feira estava dentro das normas e amparada por “auditorias externas, feitas com empresas internacionais”.  Schvartsman também foi questionado sobre a revelação da Folha de S. Paulo de que a barragem de Feijão faz parte de um complexo que foi ampliado no final de 2018. “Não sei te responder, mas deve ter sido para ampliar outra barragem”, afirmou. (com informações de noticias.uol.com.br)

Perdas humanas: 

Imagens de resgate de vítimas em Brumadinho – Foto web

Sobe para 37 o número de mortos na tragédia de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os dados foram atualizados na manhã deste domingo pelo Corpo de Bombeiros. Segundo a corporação, 192 pessoas já foram resgatadas.
O tenente Pedro Aihara, porta voz do Corpo de Bombeiros, informou que alguns corpos já foram identificados e as informações serão repassadas durante o dia. Segundo ele, pelo menos 10 corpos foram achados dentro do ônibus encontrado no sábado. A quantidade de desaparecidos e desabrigados estão em apuração.

Neste domingo, cerca de 24 mil pessoas estão sendo evacuadas. Elas estão sendo encaminhadas para três pontos seguros: delegacia de polícia, igreja matriz e Morro do Querosene. A medida é em virtude da possibilidade iminente de rompimento da barragem B6, que contém água e é monitorada pelas autoridades desde a tragédia da última sexta-feira.

A estrutura abarca entre 3 e 4 milhões de metros cúbicos de água e atingiria, principalmente, os bairros Novo Progresso e Pires, o Centro da cidade e o Parque das Cachoeiras, onde 25 casas estão em risco, conforme os Bombeiros.
Por volta das 5h30, o Corpo de Bombeiros expediu alerta de emergência, por meio de sirenes. As buscas pelos desaparecidos foram interrompidas nesta manhã, devido ao risco (com informações do site www.em.com.br).

Riscos ambientais:

Gravidade da tragédia de Brumadinho, rio Paraopebas cai diretamente na represa de Três Marias com resíduos tóxicos, que cai diretamente no RIO SÃO FRANCISCO, são 521 municípios que bebem do SÃO FRANCISCO e parte da Paraíba.

Assim que soube do incidente em Brumadinho, o Governo Bolsonaro instaurou um gabinete de crise e determinou o envio de contingente militar lotado em Juiz de Fora para ajudar no socorro de vítimas e nas ações da Defesa Civil. Conforme o Palácio do Planalto, três ministros também seguiram para Minas Gerais para avaliar o tamanho do desastre: Ricardo Salles (Meio Ambiente), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional) e Bento Albuquerque (Minas e Energia).

Ainda sobram perguntas sobre o que aconteceu em Minas Gerais, mas o certo é que o acidente elevou a temperatura de um debate sobre a abordagem do Governo Bolsonaro para a gestão e proteção ambiental. O presidente brasileiro sempre demonstrou desdém pelo assunto e chegou a cogitar o fim do ministério do Meio Ambiente. Seu Governo já se mostrou favorável à intenção flexibilizar o licenciamento ambiental e dar mais autonomia às empresas para a gestão de projetos que demandem gestão de recursos naturais.

Com notícias do Portal Uol.