Carnaval do Recife: proteção do Estado para camarotes e spray de pimenta para foliões de rua

Se o posto de maior bloco do mundo está em xeque com o crescimento dos carnavais de rua de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o Galo da Madrugada tem garantido o título de bloco com o maior número de camarotes.

Foto: Marco Zero Conteúdo

A cada ano eles aumentam, inclusive ocupando espaços públicos concedidos pela Prefeitura do Recife como ruas, calçadas e praças.

A proliferação de camarotes no Galo cria situações surpreendentes (ou nem tanto) como aquela vivida pelo maestro Spok neste sábado. Enquanto o trio em que ele estava passava pelo camarote oficial, na praça Sérgio Loreto, onde a Rede Globo faz suas entradas ao vivo, um grupo de policiais militares jogava spray de pimenta nos foliões que brincavam no chão. Spok parou de tocar, apesar dos apelos das pessoas nos camarotes para que continuasse.

“Gente, eu não posso tocar. Tem muita gente passando mal. Eu estou vendo daqui. A polícia tem que fazer o seu trabalho, mas não pode jogar spray de pimenta assim. Atinge todo mundo na rua. Tem muita gente passando mal. Uma senhora ali no chão. Não adianta, eu não vou tocar assim. A música importa menos do que a vida das pessoas”.

As declarações do maestro Spok expõem as diferenças entre esses dois mundos: o camarote e a rua. Um protegido e generosamente agraciado com a cessão dos espaços públicos para a exploração econômica e outro exposto aos excessos do aparelho repressor do Estado.

Da página do Marco Zero Conteúdo