Novo Mais Médicos não passa de promessas

“Quantos médicos serão? Quando será? Ninguém sabe”

O lançamento do Programa, como não poderia ser diferente, foi marcado por ataques gratuitos à Cuba / Marcos Corrêa/AFP

A campanha eleitoral de Bolsonaro foi marcada por inúmeros ataques direcionados ao Programa Mais Médicos, criado no Governo Dilma Rousseff. De pano de fundo, a crítica de entidades médicas que alegavam, entre outros pontos, que os médicos formados em Cuba não possuíam qualificação adequada para atender no Brasil. O fato é que depois de tantas ameaças, o governo cubano decidiu retirar seus médicos do Brasil antes mesmo do início do novo governo. Afinal, pesou nesta decisão o risco que seus profissionais corriam em seguir no país naquele momento.

Nos meses seguintes, assistimos ao governo sinalizando uma série de propostas que poderia pôr em prática. De um suposto “Mais Saúde”, que englobaria outras áreas da saúde, até uma suposta carreira médica federal, antiga demanda da corporação médica. Eis que, já em agosto, o governo anuncia o seu programa que recebeu o nome de “Médicos pelo Brasil”.

O lançamento do Programa, como não poderia ser diferente, foi marcado por ataques gratuitos à Cuba e ao Partido dos Trabalhadores e muito menos ações concretas do que se esperaria para a ocasião. Bolsonaro seguindo na sua tática de dividir o país, afirmou que o Mais Médicos tinha por objetivo formar núcleos de guerrilha no Brasil. Isso é tão absurdo que parece mais evidente que nem ele acredita nisso. Já faz parte de sua política alimentar este discurso apenas como forma de manter uma dita militância bolsonarista que tanto gosta deste clima agressivo e que divide o país. Bem a tática que a extrema-direita tem utilizado em todo o mundo.

Sobre o Médicos pelo Brasil em si, dá para afirmar tratar-se muito mais de promessas que ações concretas. A começar, pelo que interessa ao povo, da entrada de médicos. Quantos serão? Quando será? Ninguém sabe. A Medida Provisória não trata sobre isso. Carreira Federal? Ninguém sabe. Apenas promessas. Na realidade, a sinalização vai para uma proposta aquém das expectativas. Afinal, a promessa de contratações via CLT por uma agência privada, esta sim presente na Medida. Mas, qual CLT? Estariam as entidades médicas iludidas por uma suposta estabilidade em um contexto em que o governo segue retirando cada vez mais direitos trabalhistas?

O novo Mais Médicos trata-se até agora de um conjunto de promessas e pouca efetividade. Aguardemos os próximos capítulos para analisar mais a fundo os impactos no sofrido povo brasileiro.

Coluna de Aristóteles Cardona Júnior

para o Brasil de Fato