Por tantas Margaridas, marchemos!

Por tantas Margaridas, marchemos!

Já passam de 02h da madrugada, são quase 30 horas na estrada. Dentro de um ônibus quase 50 mulheres, quase 50 histórias de vida e de diferentes labutas e lutas.
As luzinhas lá longe lombrigam, como dizia minha vó, ou seja, chamegam, se misturam no horizonte escuro. Daqui a pouco seremos umas cem mil, para mais ou para menos, lombrigando nas ruas da capital do Brasil.
Parece muita gente, já encontramos algumas nas filas de banheiro nas paradas, gente com cara de povo, sem gravata, sem bleiser. Vir marchar nos coloca dentro de fatos históricos em nosso país – ainda que seja uma história pouco contada oficialmente – nos fortalece como sonhadoras de um mundo melhor, renova-nos na nossa utopia de cada dia.
Mas a gente sabe que bem ali naquelas luzinhas mora o perigo. Perigo ali, minha gente, tem nome de poder. É bem por ali onde vamos marchar que decidem o rumo de nossas vidas. É ali que dizem com quantos anos vamos nos aposentar, quantos meses de licença maternidade vamos ter. É bem ali que ainda somos tão poucas pra decidir. Poucas dentre as minorias existentes ali.
Ainda assim, vamos marchar. Em nome de Margarida, de Marielle e de nós mesmas. Em nome das nossas companheiras que ficaram, das que já tombaram e das que ainda não se encontraram e, inclusive, ajudaram a eleger o atual presidente, que por sinal, não nos quer por ali. Também não o queremos. Merecemos algo melhor para o nosso país, alguém que não deboche dos problemas ambientais apontando que se resolve determinando a quantidade de vezes que temos de cagar. Alguém que defende o planejamento familiar como solução para a crise do país numa era em que as famílias, mesmo as mais pobres, já nem tem tantos filhos assim e que ele próprio não se planejou e colocou no país cinco herdeiros que o ajudam a ser vergonha e preocupação mundial.
Vamos mulheres, marchemos contra o poder da repressão, da injustiça, da violência e ausência que já sentimos das políticas que conquistamos com suor e sangue de muitas de nós.
Ocupemos também o lugar de poder. Seja ali, onde as luzes lombrigam cada vez mais perto ou lá de onde viemos e também somos muitas e ao mesmo tempo tão poucas diante do império patriarcal que ainda resiste. Lutamos por igualdade, equidade, ali ou lá. Nem mais, nem menos.
Por isso vamos marchar!!!

Texto: Uma borboleta/margarida do sertão da Bahia

Por:  Érica Daiane Costa – Professora da Faculdade São Francisco /Juazeiro-BA