Ligação entre milícias e governo Bolsonaro faz deputado Jean Wyllys buscar asilo político

O deputado federal Jean Wyllys, que acaba de ser eleito pelo terceiro mandato consecutivo pelo PSOL do Rio de Janeiro, afirmou que está fora do país, de férias e que não pretende voltar, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

“O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar”, contou ele ao jornal. Wyllys é o primeiro e único parlamentar assumidamente gay no Congresso brasileiro e virou alvo de ódio e fake news diárias por parte da direita.

“De acordo com Wyllys, também pesaram em sua resolução de deixar o país as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro”, diz a reportagem. Ele disse não ter planos definidos ainda, mas que pretende se dedicar à carreira acadêmica ou até ir para Cuba.

“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário. O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, completou. (Do 247)

“A violência contra mim foi banalizada de tal maneira que Marilia Castro Neves,desembargadora do Rio de Janeiro, sugeriu a minha execução num grupo de magistrados no Facebook. Ela disse que era a favor de uma execução profilática, mas que eu não valeria a bala que me mataria e o pano que limparia a lambança”, disse em entrevista.

Da página de Carta Campinas

Transexual tem braço amputado após ser agredida em SP

Bárbara estava em um bar na zona norte de SP quando foi agredida com uma garrafa; família denuncia transfobia

A transexual Bárbara Brasil foi agredida com uma garrafa, na noite do dia 1° de dezembro, em um bar na zona norte de São Paulo. O ataque aconteceu quando Bárbara se recusou a dar um cigarro para uma mulher com histórico de agredir e ofender homossexuais e travestis.

Testemunhas disseram que a mulher, que já estava alterada, pegou a garrafa, quebrou e atacou a transexual. Familiares contaram que não houve discussão antes da agressão. Segundo o site Ponte, ela permaneceu por quase uma hora com o braço sangrando à espera do Samu.

                      Crédito: Reprodução/Ponte/Arquivo pessoalBárbara teve a parte inferior do braço esquerdo amputada

“A pressão dela estava 4 por 3, teve que tomar quatro bolsas de sangue. Devido a tudo isso, tiveram que grampear uma artéria, e ficou três dias sem circular sangue na parte de baixo da mão. Os médicos precisaram amputar, não teve mais circulação”, contou a mãe de Bárbara à Ponte.

“Ela está levando a vida na medida do possível. Perdeu braço, agora estamos com uma campanha para ter uma prótese. [Ela] está à base de calmantes e antidepressivos. São mais de dez remédios por dia”, disse uma amiga de Bárbara.

Clique aqui para ler a matéria completa. Leia também: 

:Transfobia matou mais de 80 pessoas no Brasil no 1º semestre 

Com informações da página do Catraca Livre

No dia 21 deste mês também em SP, um travesti foi assassinado e teve seu coração arrancado, o criminoso foi preso e justificou   a barbárie e sem demostrar nenhum arrependimento disse que a vítima  “Era um demônio” Leia aqui.

Sorrindo, acusado confessa ter assassinado e arrancado coração de travesti, em Campinas

Nota sobre o caso de LGBTfobia na Ilha do Fogo

O Mandato Coletivo do Vereador Gilmar Santos recebeu com muita indignação a notícia do caso de homofobia que aconteceu na Ilha do Fogo.

Um casal de namorados gays foi brutalmente e covardemente atacado. Enquanto levavam pauladas ouviram que pessoas como eles deveriam morrer, numa demonstração cruel do ódio ao diferente que impera em nossa sociedade, e que também é legitimado pelas nossas instituições. A homofobia ceifa vidas todos os dias no Brasil, somos o país que mais mata a população LGBTQI+ por crime de ódio.

Somos contra qualquer forma de violência, não acreditamos em uma sociedade em que não se respeite a vida humana, em que os direitos humanos não vigorem na instituição das relações de sociabilidade. Somos contra ao total abandono em que está a Ilha do Fogo, onde não observamos nenhum investimento do poder público, inclusive da prefeitura de Petrolina/PE que nunca se comprometeu na garantia da segurança e dos demais cuidados necessários a esse local de lazer da nossa população, população que também é LGBTQI+ e precisa ter seus corpos respeitados e preservados.

Por assessoria de imprensa do Mandato Coletivo

Conheça o “kit gay” vetado pelo governo federal em 2011

Material “Escola sem Homofobia”, de formação sobre questões de gênero e sexualidade, foi alvo de críticas de setores conservadores e teve a veiculação suspensa pela presidência

Em 2004, o governo federal lançou o programa Brasil sem Homofobia com o objetivo de combater a violência e o preconceito contra a população LGBT (composta por travestis, transexuais, gays, lésbicas, bissexuais e outros grupos). Uma parte dele enfatizaria a formação de educadores para tratar questões relacionadas ao gênero e à sexualidade. Nascia aí o projeto Escola sem Homofobia.

BAIXE O MATERIAL ESCOLA SEM HOMOFOBIA

Por meio de um convênio firmado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), foi elaborado o material que seria distribuído às instituições de todo o país. Entretanto, uma polêmica impediu sua circulação. Em 2011, quando estava pronto para ser impresso, setores conservadores da sociedade e do Congresso Nacional iniciaram uma campanha contra o projeto. Nas acusações feitas, o “kit gay” — como acabou pejorativamente conhecido — era responsável por “estimular o homossexualismo e a promiscuidade.” O governo cedeu à pressão e suspendeu o projeto.

LEIA MAIS  Livro exibido por Bolsonaro faz parte de “kit gay”?

Por quase quatro anos, o 1,9 milhão de reais investido no projeto pareceu perdido. Sem esperanças de que o material fosse oficialmente desengavetado, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), envolvida na elaboração, decidiu divulgar o caderno com instruções ao professor, que estava no kit.  “Acreditamos na relevância do material para garantir o respeito à diversidade nas escolas e queremos dar retorno à sociedade, já que dinheiro público foi investido”, afirmou a organização à NOVA ESCOLA.

O kit possuía também outros materiais: boletins informativos — aos quais não tivemos acesso — e vídeos, já disponíveis na internet e listados abaixo.

POR:

Wellington Soares
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Vídeo 1: “Medo de quê” https://youtu.be/cIoeUqBxhi0
Vídeo 2: “Boneca na mochila” https://youtu.be/xGRTa7BPWy4
Vídeo 3: “Probabilidade” https://youtu.be/TEcra9BBOdg
Vídeo 4: “Torpedo” https://youtu.be/TP_OjE_Fi2o
Vídeo 5: “Encontrando Bianca” https://youtu.be/4Eb9UCT1138
Da página do novaescola.org.br

Bahia é o segundo estado que mais mata travestis e transexuais no Brasil

De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), apenas em 2017 foram contabilizados 179 assassinatos de travestis ou transexuais. Isso significa que, a cada 48 horas, uma pessoa trans é assassinada no Brasil. Em 94% dos casos, os assassinatos foram contra pessoas do gênero feminino.

Os dados são detalhados no Mapa dos Assassinatos de Travestis e Transexuais no Brasil em 2017, lançado nesta quinta-feira (25), pela Antra, em Brasília.

A secretária de Articulação Política da Antra e autora do estudo, Bruna Benevides, disse que a violência está atrelada não ao exercício da sexualidade, mas à identidade de gênero. “A gente diz que o machismo é a sementre do ódio e do preconceito. É como se os corpos dessas pessoas que desafiam as normas tivessem que ser expurgados da sociedade. E é isso que a sociedade tem feito”, disse.

O relatório destaca que o número de assassinatos em 2017 é o maior registrado nos últimos 10 anos. Apenas entre 2016 e 2017 houve um aumento de 15% de casos notificados. A organização aponta que a situação mantém o Brasil no posto de país onde mais são assassinados travestis e transexuais no mundo. Em segundo lugar está o México, com 56 mortes. A comparação é feita tendo como base os dados da ONG Internacional Transgender Europe (TGEU).

No Brasil, de acordo com o mapa, o Nordeste é a região que concentra o maior número de mortes, 69. Depois estão o Sudeste, com 57; o Norte e Sul, com 19 cada; e o Centro-Oeste, com 15. Em números absolutos, Minas Gerais é o estado que mais mata a população trans. Em 2017, 20 pessoas trans foram mortas em decorrência do preconceito contra sua identidade de gênero. Na Bahia, foram 17. Em São Paulo, 16, mesmo número do Ceará. No Rio de Janeiro, 14, como em Pernambuco. Alagoas, Espírito Santo e Palmas registraram sete mortes cada um. Mato Grosso, seis. Cinco pessoas trans foram assassinadas no Amazonas, Goiás, Rio Grande do Sul e também em Santa Catarina. No Tocantins, 3. Já o Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Sergipe somam duas mortes cada. Uma morte ocorreu no Acre, Amapá, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima.

Perfil das vítimas

A maior parte das vítimas da violência transfóbica possui características semelhantes. Além do gênero, a idade é um fator que merece destaque. No relatório, não foi possível identificar a idade de 68 pessoas. Das outras 111, 67,9% tinham entre 16 e 29 anos. Pessoas que foram assassinadas entre os 30 e 39 anos representam 23% do total, ao passo que as entre 40 e 49 anos, 7,3%. Já as maiores de 50 anos, 1,8%.

De acordo com Bruna Benevides, os dados confirmam a baixa expectativa de vida da população trans. Baseada em pesquisas, a Antra aponta que ela é de cerca de 35 anos, metade da média da população brasileira. “Infelizmente, no Brasil, ser travesti e transexual é estar diretamente exposta à violência desde muito jovem. Começa na infância, família, depois na segunda instituição social que é a escola, que forma pessoas preconceituosas que vão reproduzir esse preconceito na sociedade em geral”, detalha.

As vítimas também têm cor preferencial. De acordo com o mapa, “80% dos casos foram identificadas como pessoas negras e pardas, ratificando o triste dado dos assassinatos da juventude negra no Brasil”. Associando diferentes formas de opressão, Bruna Benevides conclui que, “não é seguro, hoje, no Brasil, ser travesti e transexual, como não é seguro ser mulher e negro no país”.

Do total das pessoas mortas, 70% eram profissionais do sexo. Daí também o fato de 55% dos crimes terem ocorrido nas ruas. Para a Antra, os dados mostram “o ódio às prostitutas, em um país que ainda não existe uma lei que regulamente a prostituição que, apesar de não ser crime, sofre um processo de criminalização e é constantemente desqualificada por valores sociais pautados em dogmas religiosos que querem manter o controle dos seus corpos e do que fazemos com eles”.

Requintes de crueldade

Ao adentrar a história desses assassinatos, a Antra detalhou também os tipos de agressões praticadas. Apenas em sete casos não foi possível, por exemplo, identificar o instrumento utilizado no ato criminoso. Conclui que, dentre os identificados, em 52% as mortes foram cometidas com o uso de armas de fogo; em 18% por arma branca e, em 17%, por espancamento, asfixia e/ou estrangulamento. Em muitos, houve associação de mais de um tipo de arma.

“A associação mais comum é com a agressão física, tortura, espancamento e facadas. 85% dos casos os assassinatos foram apresentados com requintes de crueldade como uso excessivo de violência, esquartejamentos, afogamentos e outras formas brutais de violência. O que denota o ódio presente nos casos. Onde vemos notícias de corpos gravemente mutilados, tendo objetos introduzidos no ânus das vítimas, tendo seus corpos incendiados e jogadas de viadutos”, diz o texto.

“Não é só matar. É matar, esquartejar. Para expurgar toda e qualquer possibilidade de existência e também de humanidade”, analisa Bruna. Apesar dessa situação, a impunidade também é uma marca presente nesses crimes, conforme a associação. De acordo com o relatório, foram encontradas notícias de apenas 18 casos em que os suspeitos foram presos, o que representa pouco menos de 10% do total.

Subnotificação

A autora do relatório aponta que, por não existirem dados oficiais sobre a violência contra a população trans no Brasil, o levantamento anual é feito a partir de pesquisa em matérias de jornais e informações que circulam na internet, bem como de relatos que são enviados para a organização. A coleta é diária e manual. Ao longo desse trabalho, as informações são inseridas em um mapa virtual, que detalha nome, identidade de gênero da vítima, local da morte e o que mais estiver disponível.

A falta de dados não permitiu, por exemplo, a inclusão na lista de sete mortes que não puderam ser tipificadas como assassinatos, bem como aquelas que ocorreram no exterior. O relatório também não incluiu o número de suicídios, por não serem necessariamente derivados da condição de gênero, embora as organizações que reúnem pessoas trans apontem o alto índice de suicídios decorrentes do preconceito, violências e outras dificuldades que marcam a vida de travestis e transexuais.

“Nós forjamos formas de levantar dados, já que o Estado não os têm. Não há, por exemplo, uma política de respeito ao uso do nome social pela polícia nos boletins de ocorrência. Sobra pra gente traçar estratégia”, aponta. Antes da Antra, o Grupo Gay da Bahia (GGB) já fazia esse mapeamento. Uma semana atrás, foi lançado levantamento do grupo sobre a morte de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) foram mortos em crimes motivados por homofobia. O relatório apontou a ocorrência de 445 mortes, número também recorde.

Da página do Informe bahiano

Líder LGBT é morto e tem partes íntimas mutiladas na Bahia

Ativista era conhecido por divulgar e promover eventos ELGBT no sudoeste do Estado.

O corpo do líder LGBT de Itororó (a 547 quilômetros de Salvador), Marcos Cruz Santana, 40 anos, foi encontrado com diversas perfurações de faca na madrugada deste sábado, 18. Ele teve a genitália mutilada durante o crime.

A vítima, popularmente conhecido como “Marquinhos Tigresa”, foi achado por volta das 2h30. O ativista era conhecido por divulgar e promover eventos LGBT por toda a região do sudoeste do estado.

De acordo com o  site Itororó Já, a população está inconformada com o crime. Marcos era considerado uma pessoa querida por causa de suas ações sociais. A motivação e a autoria do crime são investigadas pela polícia.

Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), disse que a morte do líder LGBT “é a mais concreta expressão da homofobia”, devido ao requinte de crueldade, caraterístico de crimes desta natureza.

Ele, que era amigo pessoal de Marcos, afirmou ainda que solicitou a apoio da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) para investigar e prender os responsáveis pelo crime. Marcelo acredita que três homens teriam seduzido a vítima, torturando e matando-a em seguida.

“Estes crimes ocorrem devido à impunidade, uma vez que os agressores, quando presos, não ficam por muito tempo na cadeia”, salienta ele.

O presidente do GGB ainda destacou que Marcos era uma pessoa boa e que ajudava a população em geral, não somente os homossexuais da região. Por isso, ele acredita que o crime teria sido cometido somente por homofobia, quando um LGBT é morto e agredido por sua condição de gênero ou sexual.

A reportagem do Portal A TARDE entrou em contato com a delegacia local, mas ninguém foi encontrado para falar sobre o crime até a publicação desta reportagem.

Números alarmantes 

Até 15 de maio deste ano, 153 pessoas LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) foram mortos no Brasil. Deste total, 62 eram gays, 58 transgêneros (travestis e transesuais), 27 lésbicas, seis bissexuais, segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB).

No ano passado, foram assinados 445 LGBTs, o que representa uma vítima morta a cada 19 horas. O monitoramento anual é realizado pela entidade há 38 anos.

Por: Dahiele Alcântara*

*Sob supervisão do editor Juracy dos Anjos

Fonte: Bahia A tarde